11 de junho de 2017

Livros do dia - lista atualizada

(Colagem S.C. Zerbetto)


Bom dia!

Depois de mais de um mês, finalmente atualizei a minha lista de livros do dia. Segue o link abaixo:


Estou redesenhando a página, para constar também o gênero do livro indicado. Espero ter novidades em breve.

Nunca custa lembrar que indicações para a lista, de qualquer gênero, são muito bem vindas.

Bom domingo e boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)

Leitura na praia: Rae Andrews





Os contemporâneos sempre se enganaram sobre a valia das obras dos escritores do seu tempo.

Mário Carvalho

Cantinhos de leitura: Jesse Lefkowitz





Há livros que nos prendem desde as primeiras páginas, porque é como se tivessem sido escritos para nós. Não é que o mundo não tenha direito a conhecê-los; apenas, enquanto os lemos, o resto do mundo deixa de existir para nós.

António Mega Ferreira

A leitura na arte: Aleksei Prokopenko





O que nos perturba na leitura dos clássicos não é tanto o facto de os antigos serem capazes de identificar de uma forma essencial algo que é verdadeiro e terrível, mas que nós, mais de 2000 anos depois, continuemos a errar nos nossos caminhos sem termos assimilado a lição daqueles (ou depois de a termos assimilado demasiado bem). A modernidade dos clássicos é devida ao facto de eles serem tragicamente obsoletos.

Umberto Eco

A leitura na arte: Edoardo Tofano





Se a vida fosse feita só de heróis conhecidos, provavelmente só haveria história, não literatura.

Fernando Souza

Leitores célebres: Diane Keaton





Ler obriga cada um a ter um encontro consigo próprio, no tempo em que voluntariamente, ou pela mão de outrem, se entrega a um silêncio que mais não é do que o preenchimento da sua forma de sentir e, depois, pensar, através das emoções que a escrita de outro lhe revela e desenvolve. Ler é, por isso mesmo, um ato único de cada um entrar em contacto com partes muito profundas de si próprio, e disso encontrar eco ou amplidão e assim, no fundo, crescer, e fazê-lo de uma forma frequentemente mais aberta, crítica, amorosa ou humorística na relação consigo e com tudo o que o rodeia.

Pedro Stretch

Livro do dia: Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato



Título:
Reinações de Narizinho

Autor:
Monteiro Lobato



"Numa casinha branca, lá no Sítio do Picapau Amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos. Chama-se Dona Benta." Assim começa a história da Menina do Narizinho Arrebitado. E de Tia Nastácia, Pedrinho, Emília e Visconde. Do Príncipe das Águas Claras, do Marquês de Rabicó. E de tantos outros personagens que há gerações povoam o imaginário das crianças brasileiras.

Publicado originalmente em 1931, este livro transformou-se, multiplicou-se e cresceu, como cresceram seus personagens e seus leitores. Resgatar as ilustrações originais, trazer à lembrança dos adultos a emoção de percorrer suas histórias e mostrar às crianças o contexto de sua criação, é a proposta desta edição, tratando as crianças com inteligência e renovando aos adultos o convite à leitura.






Ano de publicação:
1931

Cinema/TV:
Adaptações para a TV brasileira.

Indicado para:
Todas as idades.


10 de junho de 2017

Pequena mudança de ares

(Colagem S.C. Zerbetto)


Bom dia!

Pequena mudança de ares na próxima semana, que espero me traga inspiração em todos os sentidos, especialmente na leitura e escrita.

Leituras:

Embora, diante da necessidade de acompanhar o que acontece nesse país surrealista chamado Brasil, eu não tenha conseguido pegar nesse livro ontem, eu estou fascinada pelo universo de O Círculo (The Circle), de David Eggers. O sonho descrito nas primeiras páginas vai aos poucos se transformando em um pesadelo, e o leitor mais perspicaz percebe exatamente aonde os exageros vão levar. 

Avancei nas desventuras de Theo (Donna Tartt, O Pintassilgo). Mais algumas páginas apenas. Não sei se vou levar ele comigo na minha mudança de ares. Ele está se enveredando por caminhos cada vez mais perigosos, e creio que, com exceção do livro de David Eggers, vou optar por leituras mais leves na semana que vem.

Leiturinhas:

Não me manifestei ontem, mas vamos ver... Ah, não falei ainda do livro da Robyn Carr, The Homecoming. Leve e bonitinho, me distraiu há duas noites atrás. Nada digo de nota na noite passada.

Bom fim de semana!

Boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)

A leitura na arte: Edgard Maxence





A melhor maneira de respeitar um autor é fazer alguma coisa com o que ele fez. Eu adorava que fizessem alguma coisa com o que fiz. Respeitar é continuar, como se fosse um diálogo, uma conversa.

Gonçalo M. Tavares

Pequenos leitores: Juan Martínez-Neal





Não há nada pior do que o romance psicológico ou sociológico. Um romance deve ser romanesco. Quer dizer, literário. Isto é, deve predominar nele o imaginário e a invenção de personagens. Quando se começa a explicar a psicologia das personagens - este homem fez isto e aquilo por causa disto e daquilo - está-se a dar uma aula. E o leitor não precisa disso.

Tahar Ben Jelloun

A leitura na arte: Alfred Provis





A ficção é isso mesmo - contar uma mentira que é mais verdade do que a própria verdade.

Javier Cercas

Leitores célebres: Ingrid Bergman




Como leitor posso conhecer realmente um livro mas vai ser um objecto distinto daquele que outro leitor conhece porque o livro acaba de construir-se no meu cérebro.

Henrique Hériz

A vez dos escritores: Inca Pan





As leituras que a gente faz em busca do saber não são, na verdade, leituras. As boas, as fecundas, as prazenteiras, são as que a gente faz sem pensar em instruir-se.

José Azorín, in 'Reflexos de Espanha'

Livro do dia: Ratos e Homens, John Steinbeck



Título:
Ratos e Homens (Of Mice and Men)

Autor:
John Steinbeck








Sinopse:

George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Em 'Ratos e homens', Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.

Ano de publicação:
1937





Edição em português:




Cinema/TV:
Sim, diversas adaptações.

Indicado para:
Adultos e adolescentes.

(W. Kandinsky)


De todos os animais da criação
o homem é o único que
bebe sem ter sede
come sem ter fome
e fala sem nada dizer.

John Steinbeck


(W. Kandinsky)

9 de junho de 2017

A leitura na arte: Archibald Wakley





Fala-se às vezes de 'inspiração' a propósito de quem escreve uma obra. Mas nunca se diz isso de quem a lê. Mas lê-la é escrevê-la outra vez. E é preciso estar-se inspirado para o conseguir bem. A inspiração possível de quem escreve um livro cumpre-se nele sem mais para o autor. Mas a de quem o reescreve, ou seja lê, é sempre variável. Ela varia não só com o desgaste da repetição da leitura, mas ainda com a variação dessa variação e o motivo dela. Porque por arranjos incognoscíveis pode alternar a adesão com a repulsa e recuperar depois em adesão o que repelira e o contrário. Como pode tudo ter que ver com razões mais cognoscíveis ou razoáveis e tudo depender assim de um insulto que nos doeu ou de um vinho que nos caiu mal. Um livro que se escreveu é imutável. O mesmo livro que se lê não o é. A inspiração de quem escreveu deu o que tinha a dar. A de quem o recebe varia e não se esgota. Porque se se esgotar, o livro não tinha nenhuma.

Vergílio Ferreira, in 'Escrever'

Leitores retro: Verne Tossey





O homem não é permanentemente igual a si mesmo. A velha concepção dos carácteres retilíneos e das mentalidades cristalizadas em sistemas imutáveis abriu falência. Tudo muda, no espaço e no tempo. Para um organismo vivo, existir - mesmo no ponto de vista somático - é transformar-se.

Júlio Dantas

A leitura na arte: Mary Curtis Richardson





Que pensa dos nossos escritores do momento, prosadores, poetas e dramaturgos?
Citar é ser injusto. Enumerar é esquecer. Não quero esquecer ninguém de quem me não lembre. Confio ao silêncio a injustiça. A ânsia de ser completo leva ao desespero de o não poder ser. Não citarei ninguém. Julgue-se citado quem se julgue com direito a sê-lo. Ressalvo assim todos. Lavo as mãos, como Pilatos; lavo-as, porém, inutilmente porque é sempre inutilmente que se faz um gesto simplificador. Que sei eu do presente, salvo que ele é já o futuro? Quem são os meus contemporâneos? Só o futuro o poderá dizer. Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo. Esses são apenas os meus conterrâneos no tempo; e eu não quero ser bairrista em matéria de imortalidade. Na dúvida, repito, não citarei ninguém.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

A leitura na arte: Albert Edelfelt





O começo de todas as histórias é, no princípio, ridículo. Parece não haver esperança de que esta coisa acabada de nascer, ainda incompleta e tenra em todas as suas articulações, seja capaz de se manter viva na organização completa do mundo, que, como todas as organizações completas, luta por se fechar. Contudo, não podemos esquecer que a história, se tiver uma justificação para existir, tem dentro de si a sua própria organização completa até antes de estar completamente formada; por esta razão não há motivo para desesperar com o princípio de uma história; num caso semelhante, os pais teriam de desesperar com o bebé porque não tinham nenhuma intenção de trazer para o mundo este ser ridículo e patético.
É claro que nunca sabemos se há razão ou não para o desespero que sentimos. Mas reflectindo sobre isso podemos obter um certo apoio; sofri anteriormente da falta deste conhecimento.

Franz Kafka, in 'Diário (19 Dez 1914)'

Leitores célebres: Jodie Foster




Os romances nunca serão totalmente imaginários nem totalmente reais. Ler um romance é confrontar-se tanto com a imaginação do autor quanto com o mundo real cuja superfície arranhamos com uma curiosidade tão inquieta. Quando nos refugiamos num canto, nos deitamos numa cama, nos estendemos num divã com um romance nas mãos, a nossa imaginação passa o tempo a navegar entre o mundo daquele romance e o mundo no qual ainda vivemos. O romance nas nossas mãos pode-nos levar a um outro mundo onde nunca estivemos, que nunca vimos ou de que nunca tivemos notícia. Ou pode-nos levar até às profundezas ocultas de um personagem que, na superfície, parece-se às pessoas que conhecemos melhor. Estou a chamar a atenção para cada uma dessas possibilidades isoladas porque há uma visão que acalento, de tempos a tempos, que abarca os dois extremos. Às vezes tento conjurar, um a um, uma multidão de leitores recolhidos num canto e aninhados nas suas poltronas com um romance nas mãos; e também tento imaginar a geografia de sua vida quotidiana. E então, diante dos meus olhos, milhares, dezenas de milhares de leitores vão tomando forma, distribuídos por todas as ruas da cidade, enquanto eles lêem, sonham os sonhos do autor, imaginam a existência dos seus heróis e vêem o seu mundo. E então, agora, esses leitores, como o próprio autor, acabam por tentar imaginar o outro; eles também se põem no lugar de outra pessoa. E são esses os momentos em que sentimos a presença da humanidade, da compaixão, da tolerância, da piedade e do amor no nosso coração: porque a grande literatura não se dirige à nossa capacidade de julgamento, e sim à nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.

Orhan Pamuk

Café com leitura: Derya Durmaz





Quando leio um livro tenho a impressão de lê-lo somente com os olhos, mas de vez em quando deparo com trecho, talvez apenas uma frase, que tem uma significação para mim, e ele torna-se parte de mim; tirei do livro tudo o que me é de alguma utilidade, e não posso extrair mais, ainda que o releia uma dúzia de vezes.
Veja, parece-me que cada um de nós se assemelha a um botão de flor fechado, e a maior parte do que lê e faz não faz efeito nenhum; mas há certas coisas que têm uma significação particular para a gente, e elas abrem uma pétala; e as pétalas abrem uma por uma, e no final a flor está aí.

Somerset Maugham, in 'A Servidão Humana'

Livro do dia: The Unrequited Dom, Carolyn Faulkner

(W. Kandinsky)

Título:
The Unrequited Dom

Autor:
Carolyn Faulkner


Sinopse:

Não era para ser assim. Ela sabia que era errado, mas ao mesmo tempo parecia tão certo. Tecnicamente, há mais de uma década, Eden era irmã de Cash por casamento apenas, mas tinha por ele sentimentos nada fraternais

(Condensado da sinopse do livro no Goodreads.)

Ano de publicação:
2011

Edição em português:
Não.
  
Indicado para:
Adultos.



 (W. Kandinsky)

8 de junho de 2017

Círculos...

(Colagem S.C. Zerbetto)

Bom dia!

Leituras: Mergulhada no universo interessante de O Círculo, de David Eggers. Por enquanto, o universo que ele descreve é lindo e maravilhoso, um lugar de sonho para trabalhar, mas já há o prenúncio de onde os conflitos da trama vão surgir. Realmente é um daqueles livros difíceis de parar de ler - a estrutura, sem a divisão em capítulos, ajuda. Desnecessário dizer também que é um livro absurdamente atual. Com tudo isso, talvez seja um dos melhores livros que já li esse ano. Vamos ver.

Leiturinhas: Outro pequeno tesouro descoberto - A Little Bit of Déjà Vu, de Laurie Kellogg. Depois descobri que o livro recebeu prêmios na categoria romance. Como sempre, vou pesquisar se existe a tradução.

Boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)

Livros e leitores: Silvia Goig





Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e o representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'

A leitura na arte: Albert Edelfelt





Quando leio um livro tenho a impressão de lê-lo somente com os olhos, mas de vez em quando deparo com trecho, talvez apenas uma frase, que tem uma significação para mim, e ele torna-se parte de mim; tirei do livro tudo o que me é de alguma utilidade, e não posso extrair mais, ainda que o releia uma dúzia de vezes.
Veja, parece-me que cada um de nós se assemelha a um botão de flor fechado, e a maior parte do que lê e faz não faz efeito nenhum; mas há certas coisas que têm uma significação particular para a gente, e elas abrem uma pétala; e as pétalas abrem uma por uma, e no final a flor está aí.

Somerset Maugham, in 'A Servidão Humana'

Leitores célebres: Natalie Portman





A leitura de todos os bons livros é como uma conversa com os melhores espíritos dos séculos passados, que foram os seus autores, e até uma conversa estudada, em que eles só nos revelam os seus melhores pensamentos.



René Descartes, in 'Discurso do Método'

Livros e leitores: Madeline Kloepper





Ler significa pensar com cabeça alheia em vez de pensar com a própria. O furor que a maioria dos eruditos sente ao ler constitui uma espécie de fuga vacui do vazio de pensamentos da sua própria cabeça, que faz força para atrair para dentro de si o que lhe é estranho: para terem pensamentos, precisam de aprender nos livros da mesma forma que os corpos inanimados recebem movimento apenas do exterior, enquanto os dotados de pensamento próprio são como os corpos vivos, que se movem por si mesmos.
Em relação à nossa leitura, a arte de não ler é extremamente importante. Ela consiste em não aceitar o que o público mais amplo sempre lê, como planfletos políticos ou literários, romances, poesias e similares, que só fazem rumor naquele momento e até atingem muitas edições no seu primeiro e último ano de vida.
Exigir que um indivíduo conserve na sua mente tudo o que já leu é como querer que ele ainda traga dentro de si tudo o que já comeu na vida.

Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'

A leitura na arte: Ellen Louise Clacy





Um romance é aquilo que o autor quiser que seja.

Al Berto