6 de fevereiro de 2018

Livros e leitores: Miki Goodaboom















A leitura na arte: John Singer Sargent


OK DOK

(Colagem S.C. Zerbetto)

Bom dia!

Estou indo bem, na medida do possível, nos esforços para ressucitar esse blog. Em breve, tudo voltará como dantes na terra de abrantes, e, quem sabe, eu volto a compartilhar meus textos e memórias de vez em quando.

Mudando de ares amanhã, para a minha segunda casa - que em breve será a minha primeira casa (e essa é a grande novidade), por isso vou adiantando alguns posts, pois o dia será corrido.

(Colagem S.C. Zerbetto)


Leitura atual: Notte, Bernard Minier. Decaiu um pouco, não sei se gosto da direção que a história está tomando... Vamos ver!

Boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)

Livros e leitores: Virginia Mori


A leitura na arte: Henri Rouart





A leitura na arte: Mihály Munkácsy



Sócrates: Você sabe, Fedro, esta é a singularidade do escrever, que o torna verdadeiramente análogo ao pintar. As obras de um pintor mostram-se a nós como se estivessem vivas; mas, se as questionamos, elas mantêm o mais altivo silêncio. O mesmo se dá com as palavras escritas: parecem falar conosco como se fossem inteligentes, mas, se lhes perguntamos qualquer coisa com respeito ao que dizem, por desejarmos ser instruídos, elas continuam para sempre a nos dizer exactamente a mesma coisa. E, uma vez que algo foi escrito, a composição, seja qual for, espalha-se por toda a parte, caindo em mãos não só dos que a compreendem mas também dos que não têm relação alguma com ela; não sabe como se dirigir às pessoas certas e não se dirigir às erradas. E, quando é maltratada ou injustamente ultrajada, precisa sempre que o seu pai lhe venha em socorro, sendo incapaz de se defender ou de cuidar de si própria.

Platão, in 'Fedro'

Livros e leitores: LiigaKlavina


Leitores célebres: Keira Knightley


A leitura na arte: Eva Gonzales






Tudo o que aqui escrevo é forjado no meu silêncio e na penumbra. Vejo pouco, ouço quase nada. Mergulho enfim em mim até o nascedouro do espírito que me habita. Minha nascente é obscura. Estou escrevendo porque não sei o que fazer de mim. Quer dizer: não sei o que fazer com meu espírito. O corpo informa muito. Mas eu desconheço as leis do espírito: ele vagueia. Meu pensamento, com a enunciação das palavras mentalmente brotando, sem depois eu falar ou escrever — esse meu pensamento de palavras é precedido por uma instantânea visão, sem palavras, do pensamento — palavra que se seguirá, quase imediatamente — diferença espacial de menos de um milímetro. Antes de pensar, pois, eu já pensei.

Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida'

A leitura na arte: Léo Fontan




A experiência pessoal e as leituras só valem o que a memória tiver retido delas. Quem tenha lido com alguma atenção os meus livros sabe que, para além das histórias que eles vão contando, o que ali há é um contínuo trabalho sobre os materiais da memória, ou, para dizê-lo com mais precisão, sobre a memória que vou tendo daquilo que, no passado, já foi memória sucessivamente acrescentada e reorganizada, à procura de uma coerência própria em cada momento seu e meu. Talvez essa desejada coerência só comece a desenhar um sentido quando nos aproximamos do fim da vida e a memória se nos apresenta como um continente a redescobrir.

José Saramago, in 'Cadernos de Lanzarote (1995)'

5 de fevereiro de 2018

A leitura na arte: Miguel Mackinlay



Será que não há nenhum contexto para as nossas vidas? Nenhuma canção, nenhuma literatura, nenhum poema cheio de vitaminas, nenhuma história ligada à tua experiência que possas passar para nos ajudarem a ficar mais fortes? Tu és um adulto. O mais velho, o mais sábio. Pára de pensar em salvar a tua imagem. Pensa sobre as nossas vidas e conta-nos sobre o teu mundo em particular. Desenvolve uma história. A narrativa é radical, cria-nos a nós próprios no momento exacto em que está a ser criada. Nós não te vamos culpar se o teu alcance excede a tua compreensão, se o amor incendeia as tuas palavras, se elas descem em chamas e nada deixam a não ser a queimadura. Ou se, com a reticência das mãos de um cirurgião, as tuas palavras apenas suturam os sítios por onde o sangue pode ter fluído. Sabemos que nunca o conseguirás fazê-lo correctamente – de uma vez por todas. A paixão nunca é suficiente; nem a habilidade. Mas tenta. Por nós, e por ti próprio, esquece o teu nome na rua; conta-nos aquilo que o mundo tem sido para ti, tantos nos bons como nos maus momentos. Não nos digas o que acreditar, o que recear. (...) A linguagem é a meditação.

Toni Morrison, in 'The Nobel Lecture In Literature, 1993'

A leitura na arte: Henri Matisse




A leitura, é de facto, em meu entender, imprescindível: primeiro, para me não dar por satisfeito só com as minhas obras, segundo, para, ao informar-me dos problemas investigados pelos outros, poder ajuizar das descobertas já feitas e conjecturar as que ainda há por fazer.
A leitura alimenta a inteligência e retempera-a das fadigas do estudo, sem, contudo, pôr de lado o estudo. Não deve­mos limitar-nos nem só à escrita, nem só à leitura: uma diminui-nos as forças, esgota-nos (estou-me referindo ao trabalho da escrita), a outra amolece-nos e embota-nos a energia. Devemos alternar ambas as actividades, equilibrá­-las, para que a pena venha a dar forma às ideias coligidas das leituras. Como soe dizer-se, devemos imitar as abelhas que deambulam pelas flores, escolhendo as mais apropriadas ao fabrico do mel e depois trabalham o material recolhido, distribuem-no pelos favos e, nas palavras do nosso Vergilio, o líquido mel acumulam, e fazem inchar os alvéolos de doce néctar.
(...) Nós devemos imitar as abelhas, discri­minar os elementos colhidos nas diversas leituras (pois a memória conserva-os melhor assim discriminados), e depois, aplicando-lhes toda a atenção, todas as faculdades da nossa inteligência, transformar num produto de sabor individual todos os vários sucos coligidos de modo a que, mesmo quando é visível a fonte donde cada elemento provém, ainda assim resulte um produto diferente daquele onde se inspirou. Um processo idêntico àquele que nós vemos a natureza operar no nosso corpo sem a mínima interferên­cia da nossa parte (os alimentos que consumimos, enquanto se conservam inteiros e flutuam sólidos no estômago são para este um peso; mas quando se transformam, logo são assimilados e se tornam músculos e sangue), um processo idêntico, dizia eu, devemos operar nos alimentos da inteli­gência, sem permitir que as ideias recebidas se conservem tal qual, como corpos estranhos. Assimilemo-las; se assim não for, elas podem perdurar na memória, mas não pene­tram na inteligência. Demos-lhes a nossa total concordân­cia, façamo-las nossas, tornemos um grande número de ideias num organismo único, tal como numa adição jun­tamos parcelas diferentes para obter um único total Que o nosso espírito faça a mesma coisa: mantenha ocultas as parcelas de que se serviu para exibir tão somente o resul­tado global obtido. Mesmo que seja visível em ti a seme­lhança com algum autor cuja admiração se gravou mais profundamente em ti, que essa semelhança seja a de um filho, não de uma estátua: a estátua é um objecto morto.

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

Pequenos leitores: Holly Hatam


Leitura fantástica: Rob Gonsalves




Livros e leitores: Emma Kling


Leitores célebres: Audrey Hepburn


Livros e leitores: @susannedraws



Bom dia segunda-feira!

(Colagem S.C. Zerbetto)

Bom dia segunda-feira!

Livro atual: 
Notte (Nuit), Bernard Minier

Boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)

4 de fevereiro de 2018

Resumindo a ópera

(Colagem S.C. Zerbetto)

Bom dia novamente!

Admito, quase desisti deste blog e da página no Facebook. Nos últimos 2 meses, quem acompanha sabe que mantive só o Instagram atualizado. Estou aqui para tentar novamente, embora a atual política do Facebook sobre a divulgação de páginas como a minha seja altamente desestimulante. Porém, estou aqui novamente. Somente deixo de lado, por enquanto, os "livros do dia". Vou retomar, no futuro, caso isso aqui engrene novamente. Vamos aos poucos.

(Colagem S.C. Zerbetto)

Leituras em andamento:

Notte (Nuit), de Bernard Minier. Quarto livro da série. Ainda não publicado em inglês, mas achei em italiano. Gosto de Minier, que tem estilo semelhante ao de Donato Carrisi. Só não gostei da série Glacé (vide Netflix), baseada no primeiro livro da série, pois não manteve o clima dos livros. Nem vi até o final.

The Torment of Others, de Val McDermid. Infelizmente parece ser outra escritora que perdeu a mão a medida em que a séria avança... Pretendo terminar, mas estou bem pouco entusiasmada. Vou dar um descanso para o Tony Hill e a Carol Jordan depois disso.

Leituras dos últimos meses/ resenhas que preciso escrever:

The Girl Before, J.P. Delaney
The Ice Beneath Her, Camilla Grebe
I´m Traveling Alone, Samuel Bjork
Smilla´s Sense of Snow, Peter Hoeg
L´Uomo del Labirinto, Donato Carrisi

E mais alguns outros que eu não me recordo agora. 

Pode não parecer, mas estou em uma fase de poucas leituras. Tenho tido problemas em comprar para o meu Kindle app com a amazon americana, e isso tem me desanimado um pouquinho nos últimos dias. 

Enfim, aqui estou novamente. Não sei se vou conseguir manter as postagens diárias, mas vou tentar!

Boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)


A leitura na arte: Leonid Pasternak




Não queremos ter vergonha de escrever e não sentimos a necessidade de falar para não dizer nada. De resto, ainda que o desejássemos, não o conseguiríamos: ninguém pode conseguir isso. Todos os escritos possuem um sentido, mesmo que esse sentido esteja muito afastado daquele que o autor tenha pensado dar-lhe. Para nós, com efeito, o escritor não é Vestal nem Ariel: está «metido no caso», faça o que fizer, marcado, comprometido, mesmo no seu mais profundo afastamento. Se, em certas épocas, utiliza a sua arte para forjar bugigangas de inanidade bem soante, até isso é significativo: é porque há uma crise das letras e, sem dúvida, da sociedade.

Jean-Paul Sartre, in 'Situações II'

Livros e leitores: Alan Rubin



A leitura na arte: Jean André Rixens




Não se é escritor por se ter preferido dizer certas coisas, mas por se ter preferido dizê-las duma certa maneira. E o estilo faz, evidentemente, o valor da prosa. Mas deve passar despercebido. Uma vez que as palavras são transparentes e que o olhar as atravessa, seria absurdo meter entre elas vidros despolidos. Aqui, a beleza é apenas uma força doce e insensível. 
Num quadro, brilha antes de mais nada; num livro, esconde-se, age por persuasão como o encanto duma voz ou dum rosto, não obriga, faz curvar sem que se dê por isso e pensa-se ceder aos argumentos quando afinal se é solicitado por um encanto imperceptível. A cerimónia da missa não é a fé, ela dispõe a isso; a harmonia das palavras, a sua beleza, o equilíbrio das frases, dispõem as paixões do leitor sem que ele dê por isso, ordenam-nas como a missa, como a música, como uma dança; se acaba por as considerar em si mesmas, perde o sentido, apenas restam oscilações aborrecidas. 

Jean-Paul Sartre, in 'Situações II' 

Livros e leitores: Jacob Lawrence


Ratos de biblioteca: Iraida Llucià


A leitura na arte: Charles Gogin




Um escritor é uma coisa curiosa. É uma contradição e, também, um contra-senso. Escrever também é não falar. É calar. É gritar sem ruído. Um escritor é, muitas vezes, repousante: ouve muito. Não fala muito porque é impossível falar a alguém de um livro que se escreveu e, sobretudo, de um livro que se está a escrever. 
É impossível. É o oposto do cinema, o oposto do teatro e de outros espectáculos. É o oposto de todas as leituras. É o mais difícil de tudo. É o pior. Porque um livro é o desconhecido, é a noite, é fechado, é assim. É o livro que avança, que cresce, que avança em direcções que julgávamos ter explorado, que avança em direcção ao seu próprio destino e ao do seu autor, então aniquilado pela sua publicação: a sua separação dele, do livro sonhado, como da criança recém-nascida, sempre a mais amada. 

Marguerite Duras, in "Escrever" 

Leitores célebres: Françoise Hardy


EU VOLTEI!



Bom dia!

Acharam que eu havia desistido?

Voltando hoje depois de quase dois meses de ausência. Depois eu faço o resumo da ópera.

Boas leituras!

:-)

S.