(Colagem S.C. Zerbetto)
Bom dia!
Costumo chamar de "reader´s block", pelo menos em relação à leituras novas - "bloqueio de leitor, em contraposição à conhecida expressão "writer´s block", bloqueio de escritor - duas frases me chamaram a atenção de ontem para hoje.
A primeira frase relaciona-se às minhas ponderações de ontem sobre a controversa exposição do Santander e a liberdade de expressão, e é do autor inglês Ian McEwan, cujo livro Atonement está na minha lista de leitura há séculos:
“É importante lembrar disto: a liberdade de expressão sustenta todas as outras liberdades das quais desfrutamos. Sem ela, a democracia é uma farsa. Toda liberdade que possuímos ou queremos possuir (habeas corpus, devido processo legal, sufrágio universal, liberdade de reunião, representação sindical, igualdade sexual, preferência sexual, direitos das crianças, dos animais – entre outros) deve ser refletida, debatida e escrita livremente. Nenhum indivíduo pode gerar esses direitos sozinho. O processo é cumulativo.”
("It’s worth remembering this: freedom of expression sustains all the other freedoms we enjoy. Without free speech, democracy is a sham. Every freedom we possess or wish to possess (of habeas corpus and due process, of universal franchise and of assembly, union representation, sexual equality, of sexual preference, of the rights of children, of animals – the list goes on) has had to be freely thought and talked and written into existence. No single individual can generate these rights alone. The process is cumulative.")
("It’s worth remembering this: freedom of expression sustains all the other freedoms we enjoy. Without free speech, democracy is a sham. Every freedom we possess or wish to possess (of habeas corpus and due process, of universal franchise and of assembly, union representation, sexual equality, of sexual preference, of the rights of children, of animals – the list goes on) has had to be freely thought and talked and written into existence. No single individual can generate these rights alone. The process is cumulative.")
Ian McEwan, discurso apara formandos do Dickinson College, 2015
(clique AQUI para artigo contendo o texto completo em português e clique AQUI para o texto no original)
Realmente, preocupa-me o fato de como, em nome da sua liberdade de expressão, as pessoas vem continuamente tolhendo a mesma liberdade de expressão do outro. Liberdade de expressão e censura são extremos que se tocam.
A segunda frase é extraída de um artigo de Luís Fernando Veríssimo para o jornal Estado de São Paulo de hoje, e vem a reforçar o meu sentimento de que o mundo está voltando à Idade Média. Eu só não sabia que isso tinha um nome: paroquialismo:
"Enquanto o capital se internacionaliza, as pessoas se retribalizam. Estaria havendo uma reação da paróquia contra o mundo. Poucos reacionários se definiriam como fascistas, ou “istas” de qualquer espécie. Como na velha piada: eu não sou racista, só tenho pavor a negro, judeu, árabe ou a qualquer outro. Outro. O racismo é uma filosofia, o pavor ao outro é um atavismo, um raciocínio intestinal. A paróquia acha que os empregos do lugar devem ser para os do lugar, e que quem não teve a sorte de nascer num país desenvolvido deve se resignar a ficar na sua tribo. Uma lógica simples, uma lógica de paróquia. Universalismo, direitos humanos, solidariedade, etc. são frases bonitas, mas são frases mundanas. A paróquia fala outra língua."
Luís Fernando Veríssimo
Bem, eu poderia escrever uma tese sobre cada uma dessas frases. Mas deixo-as aos leitores desse blog para reflexão. Certamente alimentarão muitos pensamentos interessantes!
(Colagem S.C. Zerbetto)
No meu mundo de leitora, ando novamente em busca daquele bom livro que eu ainda não li. Nesse momento, estou com uma guia do meu navegador aberta na amazon.com e pronta para fechar a compra do livro de Ian McEwan, Atonement - a tentação é grande. Não me empolguei com o Club Dumas, de Arturo Pérez-Reverte, e acabei abandonando. Das leiturinhas, nem se fala. O que tem me salvado é a releitura de A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, agora em português (da primeira vez eu li em inglês). É sempre interessante perceber como se descobrem diferentes nuances de uma obra dependendo da língua na qual ela é apresentada. Gostaria de ler bem em espanhol para ir ao original.
De qualquer modo: Boas leituras!
:-)



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