(Colagem S.C. Zerbetto)
Bom dia!
Outro dia eu li esse artigo - na verdade um depoimento - e me identifiquei bastante com o que a autora disse. Pensei em traduzir para o português, mas, pensando melhor, vou dar o meu próprio depoimento. A autora fala sobre ler livros em público - no ônibus, metrô, trem, por exemplo - e as críticas que as pessoas podem se sujeitar dependendo daquilo que estão lendo.
(Colagem S.C. Zerbetto)
Vocês sabem tão bem quanto eu que existem pessoas por aí que se julgam donas da verdade no que se refere à literatura, para as quais só são dignos de ser lidos os livros pertencentes a uma estrita lista, geralmente elaborada por elas mesmas. Já eu, pelo contrário, pertenço à corrente que acredita que qualquer leitura é válida, que a escolha cabe ao leitor e tudo é uma questão de momento. Há sim o momento de ler uma obra mais profunda e reflexiva, e há, por outro lado, a leitura por simples diversão. No meu entendimento, ambas se complementam e não prescindo de nenhuma das duas. Só nunca gostei de ser julgada pelo livro que tenho nas mãos.
Existe um meme que circula por aí nos bookstagrams e páginas do Facebook dedicadas à leitura pedindo para o leitor fazer um favor à humanidade e não esconder a capa do livro que está lendo em um local público. Ora, se depender de mim, a humanidade está perdida mesmo, pois não faço nenhuma questão de mostrar aos outros o que eu estou lendo. O gosto literário é uma questão pessoal. Para mim é quase uma questão de foro íntimo, tanto é que nem todas as minhas leituras eu revelo por aqui. Nunca tive aquela curiosidade insaciável em saber o que meu vizinho na poltrona do avião está lendo, e, do mesmo modo, peço que os outros me deixem em paz com os meus livrinhos.
(Colagem S.C. Zerbetto)
É isso que a autora aborda no artigo que mencionei no início desse post. As experiências que ela descreve são idênticas às minhas. Posso dizer que as minhas são até mais contundentes. Entre graduação e pós, estudei na Unicamp por boa parte das décadas de 80 e 90 - um conhecido antro de intelectuais de todos os níveis, como bem se sabe. Foi assim que depois de uma ou duas experiências chatas eu criei o hábito de não deixar a capa do meu livro à mostra, hábito que mantenho até hoje. É claro que não sou mais tão radical quanto antes, hoje até bem ligo mais para que os outros pensam. Enfim, o conselho que a autora deixa é esse: não preste atenção aos outro, leia o que quiser. Se é Tolstoy ou Dan Brown, o que importa? Você está se divertindo, e seu cérebro trabalhando.
No meu caso: Terminei O Canto dos Segredos (The Secret Place), de Tana French. Mini-resenha em breve. Certamente meus colegas de Unicamp torceriam o nariz para esse... Eu, hein!
Boas leituras!
:-)
S.
(Colagem S.C. Zerbetto)
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