16 de agosto de 2017

Dois mistérios - O Canto dos Segredos (The Secret Place), Tana French e The Woman in Cabin 10, Ruth Ware


(Colagem S.C. Zerbetto)

Tana French é uma escritora irlandesa de romances policiais que eu descobri em meados do ano passado. Premiada, ela é considerada uma das sensações do momento.

Achei o primeiro livro que li dessa autora, No Bosque da Memória (In the Woods) sensacional, talvez o melhor do gênero que li no ano passado. O livro deixou muitas perguntas não respondidas, o que parece ser uma característica da autora. Então, desde já, fica um ligeiro spoiler e um alerta: nem tudo o que você quer saber vai conseguir descobrir, muito é deixado para a imaginação do leitor. Funciona. Você acaba compelido a ler o livro seguinte da série para ver se descobre mais, se ela dá alguma dica... Mas aí acaba novamente com mais perguntas do que respostas. Enquanto isso, as tramas são tão misteriosas e bem construídas que, com ou sem respostas, você não consegue parar de ler.

É assim com o também premiado O Canto dos Segredos (The Secret Place). Vamos à sinopse:




Em tempos de exposição excessiva pela Internet, as alunas de um internato dirigido por freiras católicas, em Dublin, dispõem apenas de um quadro de avisos para divulgar desabafos e opiniões, anonimamente, a respeito de acontecimentos e colegas. É nesse Canto dos Segredos que surge uma foto de Chris Harper, jovem estudante de um internato vizinho morto um ano antes, com a legenda: “Sei quem matou”. Quinto livro da aclamada série Dublin Murder Squad, que conquistou milhões de leitores no mundo inteiro e rendeu à Tana French o prestigioso Prêmio Edgar Allan Poe, O Canto dos Segredos traz a autora irlandesa em sua melhor forma, numa espantosa trama de suspense contemporâneo. 

A foto e a mensagem do quadro de avisos são encaminhadas ao detetive Stephen Moran, detetive ambicioso, mas sem perspectivas de ascensão profissional na Divisão de Casos Não Solucionados. Ele cobiça um posto na Divisão de Homicídios, mas não tem ideia de como chegar lá – até a adolescente Holly Mackey entrar em seu escritório com uma pista irresistível para a solução de um assassinato de grande destaque. Moran trabalha ao lado da durona detetive Antoinette Conway para desvendar o mistério, entrevistando as meninas que preferem viver isoladas das famílias e preservar um universo próprio, em que se protegem da realidade exterior. 

Se intriga, inveja e preconceito são elementos comumente explorados em tramas policiais, O Canto dos Segredos, a última criação da irlandesa Tana French privilegia a intensidade de sentimentos das adolescentes, cuja amizade é posta à prova durante a investigação de Moran e Conway.  Há oito jovens suspeitas da autoria da mensagem. Divididas em dois grupos extremamente coesos, todas elas desafiam os policiais a romperem com a lealdade às amigas.  A descoberta de que o companheirismo tem prazo de validade e que a vida sepulta os tênues laços de afetividade, no entanto, chega cedo para as meninas.

Contrapondo o trabalho dos detetives aos acontecimentos que culminaram com a morte de Harper, Tana French monta uma trama detalhada dos motivos para um crime brutal. Moran e Conway pertencem a outro mundo, o dos adultos, e pouco escondem o desconforto quanto à sensação de invisibilidade a que são relegados pelas jovens de educação privilegiada. Simultaneamente, eles observam as adolescentes como meninas atrevidas, sedutoras e dissimuladas, sempre prontas a desafiá-los. Através dos policiais, a autora não poupa críticas à futilidade, ao exibicionismo e ao consumismo da juventude. 

Além do empenho dos detetives diante das jovens ostensivamente arrogantes, o casal de policiais trava uma luta surda: Stephen Moran precisa de habilidade para provar sua capacidade de trabalho junto a Antoinette Conway, que o testa durante toda a investigação. Os duelos silenciosos entre todos esses personagens e as graduais revelações sobre o assassinato fazem de O Canto dos Segredos uma leitura surpreendente, uma constante na obra de Tana French.  


O foco do livro, ao contrário dos dois anteriores que li da escritora (In the Woods e The Likeness) é no crime a ser solucionado e nas pessoas envolvidas, no caso, o grupo de oito garotas do colégio interno. Apesar da sinopse mencionar a interação entre os dois detetives, ela não se aprofunda muito nisso. Por isso, talvez esse seja um bom livro para conhecer o trabalho de Tana French, você não precisa necessariamente saber o que se passou com o Dublin Murder Squad nos quatro romances anteriores. 

A história se passa no intervalo de poucas horas, e alterna a narrativa no tempo presente (os dois detetives investigando o crime e interrogando as garotas suspeitas) e o passado, mais exatamente, as semanas anteriores ao assassinato de Chris Harper. Confesso que demorei uns dois capítulos para me render ao livro. O primeiro me pareceu confuso e um pouco noir demais para o meu gosto, mas depois não consegui largar mais. 

O final? Não se preocupe, o assassino é descoberto. Mas paro por aqui. Em se tratando de Tana French, você vai sair com algumas perguntas - assim como eu. Há vários fios soltos na história, e cada um deles daria um novo romance. A começar pelos dois investigadores, cuja história, como eu já disse, não é ainda explorada pela autora, mas que, a seguir o padrão de Tana French, deverão figurar pelo menos mais uma vez nos próximos livros. Aliás, essa é outra característica interessante da autora - os detetives geralmente aparecem no máximo em dois livros.

Recomendado, para quem gosta do gênero - mas ainda acho que O Bosque da Memória é a melhor obra da autora.

O outro romance policial que li esses dias e que também agradou foi A Mulher do Camarote 10 (The Woman in Cabin 10), de Ruth Ware. Esse é um mistério mais tradicional no estilo clássico de Agatha Christie. Trama envolvente, personagens interessantes - e todas as perguntas respondidas. O único problema é que a solução me pareceu óbvia demais - se você foi um dia leitor compulsivo de Agatha Christie, vai pescar logo a solução. De qualquer modo, divertidíssimo!


Emocionante e compulsivo, este romance evoca o ambiente clássico dos policiais de Agatha Christie: um ritmo que aumenta gradualmente de tensão, a sensação de perigo iminente e um conjunto de suspeitos reunidos num único lugar.

A jornalista Lo Blacklock recebe um convite irrecusável: acompanhar a primeria viagem do cruzeiro de luxo Aurora Borealis. O serviço é exclusivo e a bordo estão vários empresários e pessoas influentes da sociedade. No entanto, a viagem ganha outros contornos para a jornalista. Certa noite, testemunha aquilo que acredita ser um crime no camarote ao lado do seu.

Desesperada, denuncia o ocorrido ao responsável pela embarcação. Ninguém acredita na sua versão, pois todos os passageiros continuam no navio. Blacklock decide investigar o crime por conta própria. Colocando a carreira e a própria vida em risco, ela não vai descansar enquanto não encontrar resposta para o mistério do camarote 10.






O livro, best seller lá fora, já tem tradução em Portugal, mas ainda não chegou aqui no Brasil. Gostei bastante, apesar do final previsível. Fiquem de olho, recomendo!

Boas leituras!

:-)

S.

(Colagem S.C. Zerbetto)

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